6 de outubro de 2013

9 filmes para inspirar sua vida e sua carreira

Quem é meu amigo ou aluno sabe que sou apaixonado por filmes. Sempre comento sobre isso. Assisto quase tudo quando tenho tempo. Seja no cinema, na TV ou no computador. Desde filme romântico e drama até ficção e terror, passando pelos trash’s e alternativos. Adoro filmes... Mas há muito o que aprender nos filmes comerciais. Histórias interessantes e sacadas importantes para pensar na vida pessoal e corporativa. Certamente que há uma lista enorme de bons filmes para refletir sobre a vida e a carreira. Porém, selecionei dez que certamente você deve assistir ou rever com um olhar mais corporativo. Vamos a eles:

O primeiro da lista é poético, profundo na forma de olhar as fraquezas e virtudes humanas, verdadeiramente inspirador e também triste: Sociedade dos poetas mortos. Um clássico! Com a brilhante atuação de Robin Willians (que também representou espetacularmente outro filme que adoro e recomendo: Patch Adams – O amor é contagioso), o filme nos traz diversas lições para a vida corporativa como nunca desistir de seus sonhos, ter coragem para mudar, valorizar as amizades e viver a vida intensamente. Certamente há diversas lições sobre liderança, onde professor irreverente é um líder que consegue trazer a tona as qualidades de alguns alunos já sem esperanças de uma vida melhor. Porém suas atitudes inovadoras nem sempre são bem vistas e compreendidas. Vale pensar que um verdadeiro líder tem que ter também este feeling. Assista aqui um dos trechos mais brilhantes do filme: CARPE DIEM!

Fábrica de loucuras é uma comédia de 1986 e que poucos conhecem, mas é fantástico para quem quer entender mais sobre cultura e clima organizacional. Estrelado por Michael Keaton o filme mostra o choque entre dois sistemas produtivos e as culturas de trabalho por eles criadas. Podemos aprender sobre como lidar com as diferenças, valores e respeito, empatia, produtividade, liderança e, obviamente, cultura organizacional. Já utilizei algumas vezes com meus alunos de Recursos Humanos para retratar estas características e o resultado é uma excelente reflexão sobre as diferenças no mundo corporativo.

George Clooney interpreta, em Amor sem escalas, Ryan Bingham. Profissional bem sucedido na arte de demitir pessoas. Sim, isso mesmo: demitir pessoas. Ele viaja por todo país para esta delicada missão, mas por estar acostumado com o desespero e a angústia alheios, ele mesmo se tornou uma pessoa fria e pragmática. Porém, seu chefe contrata a arrogante Natalie, que desenvolveu um sistema de videoconferência onde as pessoas poderão ser demitidas sem que seja necessário deixar o escritório. Este sistema, caso seja implementado, põe em risco o emprego de Ryan. Eles passam a viajar para que ele possa convencê-la, e também seu chefe, do erro que é a implementação deste novo sistema. Algumas reflexões estão por conta da relação entre os personagens: experiência versus juventude. Também podemos aprender sobre gestão de carreira, métodos humanizados em recursos humanos, relações interpessoais e produtividade. Fora tudo isso o filme é ótimo.

Invictus é daqueles filmes para assistir diversas vezes e em cada uma tirar um momento de inspiração. Baseado em fatos da vida do líder Sulafricano Nelson Mandela traz a tona diversas reflexões sobre liderança, visão de futuro e valores éticos. Morgan Freeman tem atuação impecável no papel do presidente Mandela.

Em Um domingo qualquer Al Pacino vive um treinador de futebol que precisa passar confiança e segurança aos seus jogadores. Na cena decisiva do filme seu personagem Tony D'Amato faz um dos melhores discursos motivacionais do cinema. Vale a pena assistir diversas vezes. Neste filme você poderá se inspirar sobre a importância do trabalho em equipe e força de vontade ao se deparar com um ambiente competitivo. Assista o famoso discurso aqui.

Miranda Priestly é o tipo de chefe que causa polêmica. Alguns admiram e outros a temem. O fato é que em O diabo veste prada, Meryl Streep dá vida à este personagem intrigante e repleto de lições sobre liderança, foco, objetividade, perfeccionismo e produtividade. Claro que há também questões interessantes sobre valores éticos e trabalho em equipe. Um clássico que rende profundas reflexões sobre o mundo corporativo e quanto as pessoas estão dispostas a fazer qualquer coisa por um espaço de destaque.

O filme A onda é baseado em uma experiência real com alunos de uma escola alemã, revela como as pessoas podem mudar de comportamento dependendo do contexto. Um professor carismático resolve colocar em prática o que iria ensinar a seus alunos sobre o regime autocrático. Aos poucos alguns alunos extrapolam e a experiência pretendida pelo professor sai de controle levando a um fim totalmente imprevisível. Entre as diversas reflexões que o filme provoca destaco a importância da liderança. Líderes podem levar seus seguidores a diversos tipos de ações, mas nunca tem controle absoluto. Portanto, ética e sistemas de poder são dois pontos de destaque neste filme.

A firma - Tom Cruise encena um jovem advogado que vai trabalhar com um alto salário e diversas vantagens em uma importante e disputada firma de advogados. Porém, logo descobre que a empresa onde trabalha está envolvida com lavagem de dinheiro da Máfia e que todos os advogados que saíram ou tentaram sair da firma morreram precocemente, de forma misteriosa. O filme mostra que as corporações têm suas esquisitices e faz pensar sobre os dilemas éticos, como por exemplo o que mantêm em sigilo a relação do advogado com o cliente, que proíbe por toda a vida que um crime cometido por um cliente seja revelado por seu advogado. Como agir diante de situação como esta? Será que seus valores pessoais são maiores que os da empresa? Você faria qualquer coisa pela empresa ou para alcançar cargos mais elevados? Qual o preço a pagar?

Certamente não poderia faltar um filme nacional nesta lista. De pernas pro ar é uma comédia que explora muito bem os dilemas femininos no campo profissional e familiar. Ingrid Guimarães interpreta uma executiva bem sucedida, na verdade uma típica workaholic, que tenta se equilibrar entre a rotina de trabalho e a família, mas perde o emprego e o marido no mesmo dia. Isso faz com que ela mude totalmente de vida tornando-se sócia em um sex shop falido e aplicando sua experiência e conhecimentos nesta nova atividade. O filme mostra lições interessantes sobre a importância do equilíbrio na vida pessoal e profissional, além de que é possível mudar radicalmente aproveitando sua experiência, conhecimentos e habilidades. Eu gostei mais do segundo filme. Veja o trailer aqui.


Gostou da seleção? Faltou algum? Indique seu favorito e que lições podemos aprender. Certamente há muitos filmes interessantes, com bom roteiro e diversos aprendizados para nossa vida pessoal e profissional. Estou aguardando seus comentários e indicações.

Rogerio Martins é psicólogo, palestrante, escritor e professor.
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24 de julho de 2013

As lições de liderança do Papa Francisco

O que o novo Papa Francisco tem a nos ensinar sobre liderança? Muito! A escolha de um pontífice da escola franciscana demonstra que a igreja católica sinalizou que precisa de mudanças. E mudanças urgentes!
O Papa Francisco é o ponto de mutação de uma igreja desgastada por escândalos sexuais, improbidade administrativa, perda de fieis (principalmente no Brasil), ostentação enquanto parte do mundo sofre com a miséria e outras coisas mais.
Ultimamente tivemos o Papa pop (carismático), o Papa centralizador e agora chegamos à era do Papa do povo (ao menos é o que parece). Simpático, acessível, modesto, humilde, conciliador e algumas outras características que estamos descobrindo a medida que vai tomando ações tão esperadas há anos pelos católicos do mundo.
O fato é que o Papa Francisco tem habilidades necessárias a um grande líder. Seu sorriso largo e franco é importante para atrair a simpatia de seus seguidores. Em uma equipe o verdadeiro líder é aquele que consegue manter o bom humor e a simpatia mesmo em situações mais críticas. Isso não quer dizer que é preciso parecer bobo e rir de tudo e à toa. Aquele que mantém um semblante carrancudo, mais parecendo estar de mal com a vida, afasta as pessoas. Nem adianta dizer que está aberto ao diálogo porque ninguém irá se sentir a vontade com uma pessoa sisuda e de “cara fechada”. Certamente que não se muda isso do dia para a noite, mas é fundamental observar a si próprio para provocar as mudanças desejadas.
Outra característica importante de liderança que o Papa Francisco demonstra é a humildade. Alguns exemplos: ele mudou o trono dourado por uma cadeira de madeira. Aliás, algo mais apropriado para o discípulo de um carpinteiro. Aproxima-se dos fieis sem receio, beijando doentes e pobres sem medo ou nojo. Não aceitou a estola vermelha bordada a ouro ou a capa vermelha, utiliza suas vestes mais simples e brancas (símbolo internacional da paz). Uma grande prova de humildade é usar os mesmos sapatos pretos velhos e dispensar o luxuoso carro papal, utilizando um modelo mais simples. Também rejeitou o anel de ouro maciço, utilizando um que é apenas banhado a ouro, de valor menor, simbolizando um gesto de desapego às riquezas. Por fim, usa sob a batina as mesmas calças pretas, para lembrar-se de que é apenas um sacerdote.
Quantas lições podemos retirar destes atos de humildade e simplicidade? Um líder que se desapega do restaurante gerencial para vez em quando almoçar com sua equipe pode ser um exemplo. Outro é o gestor que leva um funcionário, devidamente preparado, a uma reunião para conduzir a apresentação de um projeto importante da área. O gerente que elogia um funcionário em público ou para sua chefia devido a um desempenho ou resultado superior. Na verdade toda forma de reconhecimento justo é uma maneira de demonstrar humildade. Todos querem ser reconhecidos por seus méritos, por suas realizações. Quando o líder faz isso acaba criando um sentimento de justiça e reforça o comprometimento da equipe.
O Papa Francisco tem tudo para se tornar um líder religioso e mundial positivamente inesquecível. Sua popularidade é reforçada pelas atitudes simples e na ênfase nas relações humanas. Ao se aproximar das pessoas e mostrar-se acessível conquista seus discípulos. Com o gestor em uma organização a estratégia não pode ser diferente. Aquele que se aproxima de seus funcionários, sem sufocar, cria confiança. Aquele que ouve seus subordinados, sem retaliação, cria respeito. Aquele que se coloca disponível para a equipe, com simpatia e humildade, cria relacionamentos sólidos gerando comprometimento e resultados.
Vamos aguardar quais novas lições o Papa Francisco ainda poderá nos presentear. Certamente teremos muito o que aprender com suas atitudes, filosofia e estilo de vida. Agora realmente podemos afirmar: “Habemus Papam!”

Rogerio Martins é Psicólogo, Palestrante, Escritor, Professor Universitário, Católico e fã do Papa Francisco.
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17 de julho de 2013

Nascidos para Vencer!

Você é um vencedor? Pelo menos acredita que nasceu para vencer? Eu acredito que todos nascemos predestinados ao sucesso, à vitória. Alguns realmente chegam lá, mas outros ficam para trás. Por que será?

Bem, partindo do princípio que todos fomos programados para o sucesso desde o nascimento, mesmo aqueles que nasceram nas piores condições, o que faz a diferença é o percurso. Cada um carrega a “centelha divina”, ou seja, todos temos um pouco de Deus dentro de nós e esta força oculta é que faz a grande diferença.

Quando despertamos este poder inato, que todos possuímos, revelamos nossa face vencedora. Porém, há quem fique somente olhando o lado oculto que todos também temos. Nele encontram-se o medo, a raiva, a inveja, a arrogância e tantos outros que levaria um tempo enorme para descrever, e o foco deste artigo são as virtudes que possuímos e como lidar com elas. Como tirar proveito de nosso potencial latente.

O primeiro passo é acreditar. Ter fé é fundamental. Aquele que acredita que somos criações perfeitas e predestinadas ao sucesso tem a força para superar as dificuldades, as barreiras e os diversos “nãos” que iremos receber durante toda a vida. Talvez você esteja pensando sobre quem nasceu com alguma dificuldade física ou mental. É verdade que estas pessoas começam a jornada com alguma desvantagem em relação aos demais. Porém, será mesmo? Há diversos casos de pessoas que nasceram com algum tipo de limitação e tornaram-se bem sucedidos. Portanto, isso não é desculpa.

O segundo passo é agir. Junte sua fé com suas ações e “bingo”! Não basta ficar parado rezando ou mentalizando o que deseja e acreditar que somente isso fará alguma diferença. É preciso realizar. Empreender. Traçar planos de ação e coloca-los em prática. Remodelar, quando necessário. Veja que nada acontece somente pela força da fé, apesar dela ser o combustível para as ações.

O terceiro passo é trabalhar continuamente no seu autoconhecimento e autodesenvolvimento. Precisamos investir tempo, energia, recursos e tudo o que for necessário para o nosso aprimoramento pessoal, profissional, familiar, social, físico, mental, espiritual e daí por diante.

Precisamos de estímulo. Precisamos ser energizados com freqüência para manter a motivação em dia. Precisamos de inspiração diária para não sucumbir ao lado negro da força (medo, raiva, inveja e etc). Por isso sugiro que ouça aquela música que te faz bem. Que leia aquela frase que te faz pensar. Que veja aquele vídeo que te faz refletir. Que fale com pessoas que te fazem sentir melhor. Que busque seu melhor em tudo que faz. Que seja inteiro, verdadeiro, sincero consigo e feliz com tudo isso. Feliz com a simplicidade. Feliz de acreditar que todos NASCEMOS PARA VENCER!



Rogerio Martins é Psicólogo, Palestrante, Escritor, Professor Universitário e nascido para vencer!
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12 de julho de 2013

Lições de liderança – nunca menospreze os outros

Bater em quem já foi nocauteado é covardia! Porém, a derrota do cultuado brasileiro Anderson Silva para o até então desconhecido norte-americano Chris Weidman no UFC 162, em 06/07/13, traz grandes reflexões sobre liderança e gestão de pessoas. Não vou me ater ao perfil do lutador brasileiro, mas sua atitude na luta em que foi derrotado. Isso já é um grande ensinamento.

Entretanto, antes vou fazer um breve esclarecimento que julgo oportuno. Durante dezesseis anos fui atleta e professor de Karatê, uma das artes marciais mais empolgantes e repleta de ensinamentos para a vida. Participei de competições, ganhei algumas e perdi outras. Treinei mais de 500 alunos e também vivi com eles a glória e as derrotas, mas tudo com dignidade e respeito aos adversários.

Tive o privilégio de aprender com meu mestre (Sensei) não apenas a golpear e me defender. Aprendi sobre caráter e respeito a si próprio e ao adversário. Aprendi que uma pessoa que pratica artes marciais deve ser antes de tudo uma pessoa justa e buscar sempre o equilíbrio. Aprendi a tratar as pessoas, não importa quem seja ou em qual situação estiver, com dignidade e consideração.

Foram ensinamentos que levo até hoje em tudo o que faço. Parei de praticar a atividade física intensa do Karatê, mas nunca os profundos ensinamentos do Zen Budismo. Li muito a respeito, principalmente quando fui o mestre para meus alunos. Tinha que ser mais que um professor que ensina a golpear e a se defender, assim como aprendi com meu mestre. Tenho a convicção que consegui alcançar este êxito, visto que até hoje mantenho contato com vários alunos daquela época. Estas lições fincaram raízes profundas em mim e em meus alunos.

Hoje em dia procuro assistir algumas atividades relacionadas às artes marciais e, consequentemente, o MMA (Mixed Martial Arts). Voltando então para a luta do Anderson Silva, onde defendia o título de campeão de sua categoria, senti o contrário de tudo que escrevi a pouco. Como mencionei anteriormente não estou aqui julgando o caráter pessoal, mas sim as atitudes dele durante a luta. Somente isso!

Durante o combate o atleta tomou uma postura de deboche, demonstrando superioridade e provocando o adversário até que ele o surpreendeu e o nocauteou. Depois disso foi noticiado que esta era uma prática recorrente do brasileiro. Uma pena! Mesmo que isso seja encarado como uma estratégia de luta o que fica é a lição de que nunca devemos menosprezar os outros, principalmente em público. Esta exposição tornou a derrota uma vergonha. Motivo de diversos comentários, artigos e reflexões, como esta.

Portanto, um líder – um lutador é sempre um líder – nunca deve menosprezar sua equipe ou qualquer outra pessoa. Quando faz isso perde o respeito de todos. Assume um papel de arrogância e tende a agir distante dos outros. Afinal, ninguém gosta de atuar em uma equipe onde o gestor trata as pessoas com desprezo. Já vi isso ocorrer em algumas empresas onde atuei como consultor e posso garantir que o ambiente é muito difícil.

O primeiro passo para que isso não ocorra, caso você seja o líder, é verificar sua relação com os outros. Aquele que só manda, impõe e cobra nunca irá conseguir o respeito dos outros. A época do “manda quem pode e obedece quem tem juízo” já passou. Os profissionais atuais querem espaço para falar, se posicionar e manifestar suas idéias e opiniões. Portanto, analise suas atitudes e comece a mudar.

Uma boa estratégia é realizar pequenas reuniões individuais ou em grupos. Nestas reuniões é importante ouvir o que as pessoas tem a dizer, mas nem sempre isso é fácil, pois muitas tem medo de falar e depois vir alguma punição. Tem que ter calma, paciência. Resultados efetivos levam algum tempo para vir quando tratamos de comportamento das pessoas. Elas precisam sentir confiança em você e confiança se conquista - não se impõe.

Caso você faça parte de uma equipe onde há um líder presunçoso, impositivo e/ou arrogante a tarefa é mais complicada, mas é possível fazer algo. Primeiro evite bater de frente com ele. Muitas destas pessoas agem assim por causa do ego inflado. Portanto, questionar diretamente ou confrontar nunca é uma boa opção para quebrar este gelo.

É preciso ter paciência e abrir caminho para o diálogo. Uma dica é falar com o gestor nos momentos em que ele parecer mais tranqüilo. Aos poucos. Evite despejar tudo de uma vez. Vá amolecendo o coração e conquistando a confiança para no momento certo ser mais direto e objetivo. Isso pode durar semanas ou meses, mas não desista se acreditar que o emprego vale a pena. Caso contrário a melhor saída é a sua saída mesmo. Analise se o desgaste é maior que o benefício e tome sua decisão.


Você já trabalhou com alguma chefia assim? Conte-me como foi e o que fez a respeito, afinal, não há uma solução mágica para lidar com o comportamento humano. Sucesso!

| Rogerio Martins é psicólogo, palestrante, escritor e professor universitário |


Clique aqui e assista o vídeo Nascidos para Vencer! Uma mensagem de inspiração para seu dia a dia.
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25 de junho de 2013

Quando o líder carismático atrapalha

Você que atualmente ocupa um cargo de liderança ou de subordinação certamente já teve ou tem um líder que influenciou sua carreira.  Alguém que inspirou sua trajetória profissional e fez você acreditar que líderes carismáticos é que melhor representam o ideal da liderança. Estou certo? Caso concorde comigo continue lendo este artigo que irei desmistificar alguns conceitos pré-concebidos sobre o tema. Caso não concorde com minhas primeiras colocações convido também a continuar a leitura para ver se tenho ou não razão. De qualquer forma quero sua atenção e reflexão sobre o tema, qualquer que seja sua experiência ou opinião a respeito.

Para entendermos o momento atual e contextualizar sobre a necessidade de novas lideranças – carismáticas ou não – transcrevo um trecho do excelente livro “O Espírito do Líder”, de Ken O’Donnell:
No atual contexto corporativo, estamos ocupados rejeitando tanto as idéias quanto a linguagem de hierarquias inflexíveis, relíquias de um passado mecanicista e taylorista que funcionaram em tempos mais estáveis e passivos. Procuramos outros modelos de administração que permitam àqueles que possuam características e habilidades naturais de liderança desenvolver-se espontaneamente. Ainda vivemos, entretanto, em um período de transição entre o velho e o novo paradigma, algo mais flexível e compatível com o caos da economia, da política e da sociedade do século 21.”

Vivemos um momento incrível, de grandes transformações, inclusive no papel das lideranças. Porém, vamos conceituar liderança e carisma para que possamos trabalhar em um pensamento convergente. De forma simplificada podemos definir liderança como o processo de exercer influência sobre um indivíduo ou um grupo nos esforços para a realização de um objetivo em determinada situação. Veja que esta definição engloba quatro pilares fundamentais onde a liderança se sustenta: poder (influência), pessoas, metas e circunstância. A liderança está diretamente relacionada a capacidade de exercer o poder sobre uma ou várias pessoas, e a influência é a forma mais legítima de expressão de poder, já que ela carrega a ideia do carisma. Quem tem carisma influencia os outros. Porém, vamos continuar analisando os outros dois pilares: metas e circunstâncias (ah, só para reforçar: não há liderança sem pessoas).

Toda liderança pressupõe objetivos, ou seja, onde se quer chegar ou o que se pretende alcançar. O verdadeiro líder é aquele que conduz as pessoas para um determinado fim. Por isso, o propósito é tão importante. Mesmo que este propósito seja, a grosso modo, visto como maligno, ainda assim é um propósito e seu líder conseguirá atrair diversas pessoas que compactuam deste. Um dos casos mais emblemáticos e sistematicamente lembrado é de Adolf Hitler, que conseguiu unir uma Alemanha falida em torno de uma ideia totalitária, mas muito bem vendida por sua eloquência e firmeza na condução destas ideais e, consequentemente, comprada por milhares de cidadãos enebriados pelo lema de uma supremacia ariana.

Assim chegamos ao último pilar que sustenta a liderança que é sua característica situacional. A liderança deve ser encarada como uma competência a ser aprimorada e utilizada em cada circunstância de forma diferente. O verdadeiro líder tem que ser como um camaleão que se adapta a cada situação, seja da equipe, do meio ou do mercado, entretanto, sem perder sua essência e seus valores fundamentais. Liderança é um exercício de flexibilidade, onde aquele que ocupa a posição de líder tem que estar preparado a todo momento para deixar outro ocupar seu lugar quando ele não tiver competência (momentânea ou definitiva) para gerir aquela situação. Parece simples e é, mas há muitas pessoas que na prática não conseguem agir assim, pois estão presas ao cargo, ao título, aos dogmas. O exercício para se libertar desta “prisão” é compreender que ninguém é líder o tempo todo. Que quando se compartilha a liderança a equipe se sente fortalecida. Ao mesmo tempo há que se ter cuidado, pois só se pode compartilhar algo quando os demais estão preparados para isso, mas isso já é assunto para outro artigo.

Enfim, vamos ao carisma. É bem verdade que já fui tratando do tema de forma subliminar. Em vários parágrafos anteriores fiz algumas citações que levam a pensar sobre carisma, porém sem expor diretamente o assunto. Então vamos a ele agora: podemos definir carisma como uma característica de comportamento relacionada a capacidade de encantar (fascinar) outras pessoas de forma espontânea. Carisma está relacionado a forma de pensar e agir e que faz com que os outros sintam simpatia e admiração pela pessoa carismática.

Diante do exposto, sobre liderança e carisma, é que lanço a questão: e quando o líder carismático atrapalha? É possível que você esteja pensando que isso é incoerente, afinal o líder carismático é aquele que tem a equipe em suas mãos. Pode até ser verdade, mas é aí que mora o perigo. O carisma do líder pode ofuscar outras pessoas brilhantes que compõem a equipe e isso gerar disputas internas, muitas vezes silenciosas e minar a moral do grupo. Um líder carismático é capaz de provocar inveja e/ou ciúmes na própria equipe e/ou em outras áreas de uma empresa, por exemplo. O líder carismático pode sentir-se envolvido em sua “magnitude” e deixar-se levar em devaneios rumo ao “estrelato”.

Ok, ok... são apenas suposições. Pode até ser tudo fruto de minha mente maquiavélica. Porém, é importante pensar a respeito, não é? Afinal, somos humanos, imperfeitos, dotados de vaidades e fraquezas que se não forem devidamente criticadas por nós mesmos, corremos o risco de agir conforme este cenário que apresentei. Ou será que é realmente tudo fruto de minha mente maquiavélica?

Para finalizar, deixo mais uma reflexão sobre o assunto: quando o líder começar a ser reconhecido pela equipe como alguém carismático, é o momento de reforçar seus escudos contra a arrogância e o sentimento de autossuficiência. É a hora de vestir a manta da humildade e da generosidade e lembrar que só alcançou este mérito por causa dos demais. Pense nisso!

Rogerio Martins é Psicólogo, Palestrante, Escritor e Professor Universitário
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